quinta-feira, 2 de abril de 2009

[Grécia] Seqüência de ocupações universitárias num ambiente eufórico!

A decisão das autoridades acadêmicas de desalojar a ocupação e o escritório do Decanato em Tessalônica tem dado lugar a uma sucessão de ocupações de escritórios administrativos universitários em toda a Grécia, nesta terça-feira (31). Ao mesmo tempo, manifestações paralisaram Atenas nos últimos dias antes da greve geral de quinta-feira (2).]A decisão do Decano da universidade de Aristóteles de Tessalônica, Manthos, de desalojar os “estudantes e radicais” que ocupavam os escritórios administrativos da universidade, cancelando de imediato todos os contratos e subcontratos da universidade com as companhias de limpeza que se solidarizavam com K. Kouneya e a luta dos limpadores, recebeu o apoio dos meios conservadores como uma dura medida contra o aumento da conscientização social. No início desta semana o Decano conclamou os acadêmicos para uma contramanifestação (contra a ocupação), que não obteve apoio nenhum. Pelo contrário, dezenas de acadêmicos declararam apoio à causa da ocupação. A reunião convocada pelo Decano no dia 31 de janeiro para discutir a ocupação teve de ser interrompida graças à movimentação dos estudantes, que acabaram com o discurso do Decano quando um ovo “aterrizou” no mesmo!Além disso, as ameaças de aumentar o amparo acadêmico (com a desculpa de que estava sendo violado pela ocupação, truque sujo e sem precedentes que servirá para maior repressão), e permitir a entrada das forças anti-distúrbios no campus universitário em caso da ocupação não ser dissolvida na terça-feira (31) ao meio-dia, resultou em uma intensa campanha de ocupações de decanatos universitários em todo o país. Ocuparam escritórios na Universidade de Atenas, um edifício situado no centro da cidade. Lá se colou um cartaz onde se lia: “ A favor das ocupações!”. De maneira similar, foram ocupadas a Universidade de Ciências Sociais Panteão de Atenas, e de Patras, exigindo um fim imediato dos subcontratos e o respeito e apoio às ocupações como meio de luta.Nas últimas semanas, as autoridades de ambas universidades (Atenas e Tessalônica), lançaram ataques aos Centros Sociais Ocupado, exigindo uma investigação sobre o estado dos edifícios ocupados e medidas legais contra os proprietários que não desalojassem os ocupas. Tanto em Atenas, quanto em Tessalônica, são lares de dezenas de ocupas, uma “pedra no sapato” para o Estado.O sucesso nos campi, foi conseguido no momento em que o Estado grego e seus lacaios estão propondo uma marcha com todo o seu arsenal propagandístico e truques baratos sob o jugo da “legalidade” para frear as organizações sociais que estão ocorrendo em todo o país para a greve geral, proposta para o dia 2 de abril.Uma grande tensão paira no ar, sobre todo o país, especialmente com a alusão de ataques contra o Estado e o capital. Em Atenas, e Tessalônica, foram alvos de ataques cinco bancos, uma concessionária, muitos veículos estatais e diplomáticos na capital grega, já em Tessalônica, um ataque simultâneo ocorreu com bombas de gás. No centro de Atenas, escritórios dos ministérios e do primeiro ministro do governo foram acertados, dando lugar ao cerco policial nas ruas principais.Ao mesmo tempo, é muito grande o conflito com as questões trabalhistas, exatamente agora com a mobilização para uma greve geral, camponeses, tecelões, tomaram Atenas em 31 de janeiro. Centenas de trabalhadores das fábricas têxteis de Lanaras estão acampados ao redor do Ministério da Economia desde segunda-feira (30) exigindo uma intervenção do Estado ante ao colapso da indústria e garantia do recebimento de salário de dezenas de operários. Ano passado, movimentações por parte dos trabalhadores de Lanaras, terminaram em enfrentamentos violentos nos arredores da Praça Syntagma.Também, outros trabalhadores se reuniram em frente ao Ministério da Agricultura e marcharam até o Parlamento exigindo apoio à causa agrária. Horas antes, os trabalhadores conseguiram intervir em frente ao carro do ministro da agricultura, dando lugar a uma violenta intervenção das forças anti-distúrbios.
Tradução > Palomilla Negraagência de notícias anarquistas-anaBorboletas voamNos jardins de IratiQuanta alegria!Ana Carolina Valenga Soares

Retirado de redelibertaria.blogspot.com

Estudantes ocuparam Faculdade de Belas-Artes do Porto

Os estudantes da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP) reuniram-se anteontem, 31 de Março, em assembleia para debater a política no Ensino Superior. Ficaram decididas acções de mobilização e protesto, reivindicando um ensino superior público, gratuito, democrático e de qualidade para todos.No dia 1 de Abril, aproveitando a simbologia do dia, estava prevista uma manifestação à porta da reitoria para que foram convidadas todas as faculdades da Universidade do Porto sob o lema “Mentira do dia: acção social”. A mensagem distribuída à comunicação social, enviada também à redacção do Mudar de Vida, afirma: “Não podemos mais ignorar: é nossa responsabilidade exigir transformações urgentes e profundas no funcionamento da acção social, sob pena de a vermos desaparecer, afundada com a privatização da Universidade”.Nessa mesma assembleia foi aceite a ocupação pacífica do pavilhão principal da FBAUP prometendo os estudantes prosseguirem acções de luta semelhantes enquanto continuarem os ataques ao ensino público.Para dar conta da luta, foi constituído o blogue http://ocupacaobelasartes.blogspot.com/No dia 1 a ocupação chegou ao fim. Numa assembleia que se seguiu à abertura das portas para discutir a situação, os estudantes procuraram “recolher imensos frutos” e sublinhavam a necessidade de se unirem “para reivindicar aquilo que é justo para eles como Faculdade e justo para todos os estudantes do Superior”.A última mensagem contida no blogue agradecia todo o apoio prestado à luta e dizia: “Não nos enganemos, a luta tem de continuar. Isto não é uma brincadeira. É o nosso futuro”.

terça-feira, 31 de março de 2009

1 de Abril em Évora


A Universidade de Évora é vista como um dos locais apontados para os ensaios de OGM (transgénicos) na sua Herdade da Mitra, pólo da Universidade onde se ministram diversos cursos, pós-graduações e investigações nas áreas da Biologia, Veterinária, Agronomia, etc.
Acção de protesto/sensibilização relativamente a estes ensaios, junto à Reitoria da Universidade no próximo dia 1 de Abril às 14.00 horas.
Recordamos que até ao dia 3 de Abril de 2009 às 24h está aberta a consulta pública relativa ao pedido da empresa Monsanto para ensaios de campo com milho transgénico. Os terrenos em causa ficam em Salvaterra de Magos e Évora. Para mais informações contacte a Plataforma Transgénicos Fora pelo email info@stopogm. net - http://stopogm.net/
É já na próxima quinta-feira, dia 2 de Abril, às 22 horas, na Livraria Gato Vadio, na Rua do Rosário, 281, na cidade do Porto, que se realiza o lançamento e apresentação da tradução para português (em Portugal) do livro Utopias Piratas de Peter Lamborn Wilson (também conhecido por Hakim Bey).Na ocasião haverá uma conversa com Miguel Mendonça, que traduziu e propôs à Deriva a publicação de Utopias Piratas de Peter Lamborn Wilson, e António Alves da Silva. Pretende-se com esta iniciativa proporcioar um debate informal sobre a pirataria moura do século XVII e o papel muito particular da República de Salé que, diga-se, está muito pouco estudada pela historiografia oficial.
http://derivadaspalavras.blogspot.com/
O autor, neste seu recente trabalho, foca a acção corsária da independente República pirata de Salé, durante o século XVII. Corsários, sufis, pederastas, mulheres mouras «irresistíveis», escravos, aventureiros, rebeldes irlandeses, judeus hereges, espiões britânicos, heróis populares da classe trabalhadora e até um pirata mouro em Nova Iorque, emprestam a este livro um ambiente livre constituído por comunidades insurrectas nunca verdadeiramente dominadas e portadoras de uma praxis de resistência social que abalou seriamente os estados europeus.Peter Lamborn Wilson, nascido em 1945 e investigador e poeta norte-americano com vasta obra editada, escreveu «Sacred Drift: Essays on The Margins of Islam», na City Lights e «Scandal: in Islamic Heresy», Autonomedia
«O islamismo, no fim de contas, é o mais recente dos três monoteísmos ocidentais, e contém por isso a sua dose de crítica revolucionária do judaísmo e do cristianismo. A apostasia de um autoproclamado Messias ou de um pobre e anónimo marinheiro seria invariavelmente vista, nesta perspectiva, como um acto de revolta. O islão, em certa medida, foi a Internacional do século XVII – e Salé talvez o seu único e verdadeiro “Soviete”. À primeira vista, Salé aparenta ser um lugar ímpio, um ninho de piratas ateístas e violentos – mas assim que observamos e escutamos com mais atenção, quase podemos ouvir o eco das suas vozes distantes, recortadas em apaixonados debates e exaltadas oratórias. Os textos perderam-se ou talvez nunca tenham existido; era uma cultura oral, uma cultura auditiva… é difícil discernir os seus últimos murmúrios… mas não totalmente impossível!» Peter Lamborn Wilson
Um extracto do I Capítulo da obra «Utopias Piratas - Corsários Mouros e Renegados Europeus» de Peter Lamborn WilsonUm Cristão “Tornado Turco”“Os cristãos são tornados turcos e os turcos são filhos dos demónios.”Novas do Mar, de Ward o Pirata (1609)«Desde cerca de finais de 1500 até ao século XVIII, muitos milhares de europeus – homens e mulheres – converteram-se ao islão. Na sua grande parte viveram e trabalharam em Argel, Tunes, Tripoli, e na área de Rabat-Salé em Marrocos - os chamados Estados da Costa da Berberia. A maioria das mulheres tornava-se muçulmana ao casar com muçulmanos. Esta grande adesão é facilmente compreensível, ainda que seria fascinante se pudéssemos traçar as vidas de algumas delas em busca de uma Isabelle Eberhardt do século XVII. Mas e então os homens? O que os impelia, a eles, à conversão?Os cristãos europeus tinham um termo especial para os designar: Renegados – ou seja, os apóstatas, os vira-casacas, os traidores. Havia uma certa razão em se pensar dessa forma, uma vez que a Europa cristã ainda estava em guerra com o islão. As cruzadas não tinham tido verdadeiramente um fim. O último reino mourisco em Espanha, Granada, não sucumbiu à Reconquista senão em 1492, e a última sublevação moura em Espanha teve lugar em 1610. O Império Otomano, vigoroso, brilhante, e armado até aos dentes (tal como a sua contemporânea Inglaterra isabelina/jacobina), orientou a sua ofensiva contra a Europa em duas frentes, por terra em direcção a Viena, e por mar em direcção ao Ocidente através do Mediterrâneo.Nas línguas vernaculares europeias, ‘turco’ significava todo e qualquer muçulmano, incluindo os mouros do Norte de África. Dos renegados dizia-se que se tinham “tornado turcos” (do título de uma peça teatral, A christian turn’d turke de Robert Daborne, representada em Londres em 1612). O Turco Lascivo e o Soldado Cruel povoavam a literatura popular, e “muçulmano!” é ainda um insulto grave em Veneza. Se pensarmos na posição da imprensa americana durante a recente Guerra do Golfo, contra o Iraque, podemos compreender a ignorância e o preconceito europeus da época. A atitude da Europa face ao islão, desde o século XIX, tem vindo a complexificar-se cada vez mais, porque de facto a Europa do século XIX conquistou e colonizou uma boa parte do Dar al-Islam. Mas no século XVII não existia esse ponto de interpenetração de culturas, mesmo sendo de sentido único. Essencialmente, a Europa odiava e não compreendia o islão. E quanto a este, a palavra jihad, guerra santa, resume bem a sua atitude face ao cristianismo. A tolerância e a compreensão eram praticamente inexistentes em ambas as margens do fosso cultural.Aos olhos da maioria dos europeus, os renegados assemelhavam-se a criaturas impregnadas de um mistério demoníaco. Não só tinham estas “traído Nosso Senhor”, como se tinham mesmo juntado à jihad. Quase todos os renegados se tinham tornado “Corsários da Berberia”. Dedicavam-se ao ataque e ao saque de navios europeus e capturavam os seus tripulantes cristãos, que depois de transportados até à Berberia eram libertados sob o pagamento de um resgate, ou vendidos como escravos. Claro que os “corsários” cristãos, incluindo os Cavaleiros de Malta, faziam exactamente o mesmo aos navios e equipagens muçulmanas. Mas eram muito poucos os cativos mouros que se “tornavam cristãos”. O fluxo de renegados transitava largamente num só sentido.Os europeus assumiam que os apóstatas eram escumalha humana, e acreditavam que os motivos da sua conversão eram os piores imagináveis: ganância, ressentimento, vingança. Mas muitos deles já eram “piratas” antes de se converterem – e esses é óbvio que só procuravam uma desculpa para a continuação da sua vida de pirata. Seguramente que a outros, que eram capturados, lhes era oferecida a escolha entre a conversão ou escravatura, e que numa atitude cobarde escolhiam a apostasia e o crime. Os renegados eram assassinados em público em todos os países europeus, e queimados vivos em Espanha (pelo menos em teoria), mesmo que desejassem a reconversão. Neste sentido, o islão era entendido mais como uma espécie de praga moral, do que propriamente como uma simples ideologia inimiga.No seio do mundo islâmico a atitude relativa à conversão pode ser descrita como sendo mais aberta. Os espanhóis forçavam os judeus e os muçulmanos a converter-se, mas mesmo assim expulsavam-nos. O islamismo, no entanto, conservava ainda uma visão de si mesmo enquanto nova religião, procurando expandir-se por todos os meios possíveis e sobretudo através da conversão. Os “Novos Muçulmanos” são ainda hoje considerados abençoados e mesmo “afortunados”, especialmente nas fronteiras do islão. Esta divergência de atitudes face ao acto da conversão ajuda a entender a vantagem no índice de cristãos convertidos ao islamismo em relação ao sentido inverso – mas a questão do “porquê” continua por responder. Talvez devamos começar por assumir que nenhuma interpretação dos renegados, ‘turca’ ou cristã, nos pode satisfazer a curiosidade. Podemos duvidar, por um lado, que estes homens fossem simplesmente a figura do demónio, e, por outro, que fossem anjinhos da jihad. Vamos assumir que as nossas respostas – se alguma se provar possível – se apresentarão bem mais complexas do que qualquer destas teorias do século XVII.Curiosamente, são poucos os historiadores modernos que têm realmente tentado compreender os renegados. Por entre os historiadores europeus pesa ainda o estigma da “teoria demoníaca”, ainda que tenha sido racionalizada e elaborada e até mesmo invertida em hipóteses que soam plausíveis. As considerações frequentes rondam as seguintes: Como é que foi possível à grande e poderosa Europa não ter conseguido erradicar os corsários da Berberia durante três séculos inteiros? É sabido que a tecnologia naval e militar do islão era inferior à europeia. Os árabes, como todos sabemos, são maus marinheiros. Como explicar então este aparente enigma? A resposta é óbvia – os renegados. Foram eles, como europeus, que introduziram a tecnologia europeia aos muçulmanos, e que também lutaram por eles. Parece portanto, que a pirataria berberesca não passou de “une affaire des étrangers”, e que sem os renegados jamais poderia ter existido. [Coindreau, 1948] Eram traidores da pior espécie – mas brilhantes à sua própria maneira, na sua rudeza. A pirataria é desprezível – mas, apesar de tudo, tão romântica!Quanto aos historiadores islâmicos, é natural que se ressintam com qualquer sugestão de inferioridade islâmica. As histórias locais de Rabat-Salé do século XIX, princípios do século XX, por exemplo, indicam claramente que os mouros, os berberes e os árabes do país, contribuíram bem mais, a longo prazo, para a história da “guerra sagrada sobre o mar” do que alguns milhares de convertidos. E quanto a estes, os seus descendentes continuam a viver em Rabat-Salé – tornaram-se marroquinos, independentemente das suas origens. A história dos corsários não é “um affaire de estrangeiros” mas parte da história do Magrebe, o FarWest do islão, e da então emergente nação marroquina. [Hesperis, 1971]Nenhuma destas “explicações” sobre os renegados nos aproxima das motivações que os teriam levado a abraçar o islão, e a adoptar a vida de piratas berberescos. Traidores brilhantes ou heróis assimilados – nenhum dos dois estereótipos possui qualquer profundidade real. Ambos contêm elementos de verdade. Os piratas introduziram algumas técnicas e novidades estratégicas na Berberia, como iremos ver. E participaram no mundo islâmico em formas mais complexas do que como simples criminosos a soldo – ou como experts – como também veremos. Mas ainda não temos indícios do porquê do fenómeno em todo o seu conjunto. Devemos ter em conta que, apesar de alguns dos renegados terem sido letrados em numerosas línguas, nenhum deles era realmente literati. Não temos registos em primeira-mão, nenhum texto escrito pelos próprios. As suas origens sociais não lhes proporcionaram o hábito por uma escrita auto-analítica; um luxo que era ainda monopólio da aristocracia e de uma classe média emergente. A pluma da História está nas mãos dos seus inimigos. Os renegados, eles próprios, mantêm-se em silêncio.É possível que nunca cheguemos realmente a descobrir as suas motivações. E talvez não nos seja possível fazer muito mais do que sugerir uma série de impressões e especulações complexas, e mesmo contraditórias. Mas mesmo assim, ainda podemos fazer melhor do que os historiadores neocolonialistas europeus, ou do que os nacionalistas marroquinos que, uns e outros, não conseguem observar o renegado sem deixar de o relacionar com os seus próprios preconceitos ideológicos.

Retirado http://pimentanegra.blogspot.com/

VIGÍLIA EM FRENTE AO ESTABELECIMENTO PRISIONAL DE MONSANTO 2 de Abril, quinta-feira, 21.30h.

Desde que reabriu portas, o Estabelecimento Prisional de Monsantotem-se destacado por reiteradas violações dos Direitos Humanos,traduzidas em agressões físicas e psicológicas à integridade dospresos, bem como a tratamentos carcerários humilhantes e nãolegitimados pelo ordenamento jurídico português – que, aliás, nemreconhece a existência de estabelecimentos prisionais de “segurançamáxima” ou de “alta segurança”, como [nuns casos por ignorância,noutros por má-fé manipulativa] Monsanto tem vindo a ser apresentado.São inúmeras as referências na comunicação social, várias as denúnciasexpressas em relatórios internacionais, perante a cobarde e criminosapassividade das autoridades portuguesas que fecham os olhos àsdenúncias e legitimam práticas arbitrárias.Desde logo, os Serviços Prisionais permitem-se ao livre arbítrio dedeterminar quem é e não é “perigoso”, ajustando contas com presosmalquistos ao conceito de “bom comportamento”, que não decorre denenhuma apreciação objectiva de conduta e carácter, mas sim da punição– por processos indirectos – àqueles que recusam a institucionalizaçãoda sua consciência e se permitem ao “arrojo” de assumir uma visãocrítica.Ainda recentemente, a 12 de Março, conforme foi oportunamentedenunciado, dois presos de Monsanto foram agredidos por elementos daGuarda Prisional, num contexto à margem de qualquer “coacção legítima”(só para utilizar um jargão sistémico), mas sim de forma cobarde edesproporcionada e (convenientemente) no resguardo de uma sala semvideovigilância.Estas práticas deveriam envergonhar o Estado português. Isto, se estefosse “pessoa de bem” – o que, objectivamente, não é o caso. A nósenvergonhar-nos-ia não denunciar, sendo cúmplices pelo silêncio!ACEDAssociação Contra a Exclusão pelo DesenvolvimentoCMA-JColectivo Múmia Abu-Jamal

sábado, 28 de março de 2009

Agreção policial na terça passada

A Cláudia Licenciou-se em Ciências Musicais no Rio de Janeiro, fez diversos trabalhos com comunidades das favelas onde ao ensinar musica pretendia manter os jovens ocupados nessa actividade tentando desvia-los da criminalidade. Foi sempre bem recebida pelas populações das favelas, sem que nunca tenha sido sequer assaltada. Depois concorreu a varias bolsas para Mestrado tendo sido aceite em duas, uma no Rio J. e outra em Lisboa. Preferiu vir para a Europa, para Portugal, para o mundo civilizado. Desde Setembro que se encontra a realizar o Mestrado em Etnomusicologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL. Na terça-feira passada pela noite deslocava-se de táxi pela cidade, mas sendo o motorista de origem africana desconhecia o caminho para o destino que ela pretendia seguir. Então a Cláudia, no Cais do Sodré foi ter com quatro policias que ali se encontravam em serviço, a fim de lhes pedir essa informação. Pelo simples facto de ela falar português do Brasil, estes humilharam-na, agrediram-na, espancaram-na, obrigaram-na a levantar para eles 50€ no multibanco ou seja roubaram-na, e ali a deixaram sozinha. Ela teve de ser hospitalizada, tinha sido recentemente operada ao joelho, e estava ainda em recuperação, para alem dos outros ferimentos que apresenta é o joelho que levanta agora maior preocupação. Os elementos da PSP já foram identificados, e estão a decorrer os processos legais a fim de os responsabilizar. O professor em tom irónico dizia “os Policias são os guardas da nação, pretendem-se que protegem os cidadãos nacionais, pena que depois abusem dos cidadão não-nacionais”.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Comité do Conselho da Europa denuncia situação em Portugal

Não. Não é uma organização “esquerdista” ou “anarquista” a denunciar a situação. É do próprio Comité de Prevenção da Tortura e das Penas ou Tratamentos Desumanos ou Degradantes do Conselho da Europa, que esteve recentemente em Portugal, e que considera que desde há 6 anos, quando cá esteve pela última vez, nada mudou. Afirma que continuam os maus tratos nas cadeias portuguesas e a tortura nos interrogatórios policiais.Este Comité registou, em 2008, “numerosas alegações” de maus tratos nas esquadras, postos e prisões de Portugal. Tudo serve para agredir ou amedrontar: cassetetes, listas telefónicas ou armas de fogo. O Comité cita o caso de um detido em Monsanto que, ao sair do isolamento, foi espancado por vários guardas até perder a consciência. Mais, refere que numa visita a instalações da PJ foram encontrados na sala de interrogatórios bastões de basebol, mocas e uma pistola de plástico.Quem conheça por dentro as esquadras e as cadeias portuguesas sabe como essas coisas são verosímeis. Uma maior instrução e polidez de alguns agentes não é suficiente garantia do respeito pelos direitos dos cidadãos. E também é habitual assistirmos à negação destas sevícias por parte de quem as pratica sem que isso cause muitos engulhos ao pessoal do aparelho jurídico ou ao governo português. Este ambiente gera necessariamente situações de revolta e o caso dos “25 de Caxias”, cujo julgamento é retomado a 2 de Abril, no Tribunal de Oeiras, pode ser considerado como um exemplo disso.

terça-feira, 24 de março de 2009







Sábado, 28 Março no CCL: Sessão sobre transgénicos e jantar vegetariano

Sábado, 28 de Março– 15hSessão informativa sobre os transgénicosPromovida pelo GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental e pelo Centro de Cultura Libertária- 20hJantar vegetarianoEm solidariedade com xs trabalhadorxs da fábrica em autogestão Disco de Oro de San Martin – Argentina.Afinal:-o que são transgénicos?-ficarei doente se comer alimentos transgénicos?-quais os impactos da introdução de transgénicos no ambiente e agricultura?-o que significa comprar sementes geneticamente modificadas?Durante a sessão haverá tempo para reflectir e debater sobre tema e todas as dúvidas que se geram à sua volta, de uma forma interactiva e dinâmica. A sessão também contará com a visualização do filme TransXgènia.Sobre o filme:TranXgènia: a história do verme e o milho" - 37 min / Um documentário elaborado pela Plataforma Transgènics Fora! da Catalunya, onde é apresentado como os transgénicos, sem fazer muito barulho, estão cada vez mais presentes nas nossas vidas, desde o campo do produtor até ao prato do consumidor. Baseado na experiência local da Catalunha e de Aragão, explora-se os diferentes pontos da acção dos transgénicos e expõe-se o conflito que eles provocam."20 horas - Jantar vegetarianoEm solidariedade com xs trabalhadorxs da fábrica em autogestão Disco de Oro de San Martin – Argentina(+ info em http://ait-sp.blogspot.com/ e http://socderesistenciasm.blogspot.com/)noCentro de Cultura LibertáriaRua Cândido dos Reis, 121, 1º dto. - Cacilhas – Almada

[Lisboa] Feira do Livro Anarquista

Queremos ir para além da informação e da opinião.Partindo de diferentes projectos, pretendemos criar um espaço de discussão, reflexão, encontro e confronto de ideias anarquistas, onde cada um destes projectos se possa desenvolver.
Numa tentativa de encontrar e conhecer outros indivíduos e descobrir potenciais cúmplices no que cada um de nós deseja, continuamos (e continuaremos) a dar importância à palavra escrita enquanto ferramenta de comunicação e ataque.
Convidamos quem desejar contribuir neste sentido a participar.
22, 23 e 24 de maio de 09
rua luz soriano 67
bairro alto
lisboa
entrega de proposta de actividades e/ou bancas até dia 24 de abril
Para mais informação:
feiradolivroanarquista.blogspot.com
feiradolivroanarquista@gmail.com

Barcelona - repressão policial

No dia 17 de março, três carrinhas da policia apareceram no edificio ocupado da universidade de barcelona e detiveram Enric Duran que, seis meses antes, anunciou publicamente ter roubado 492 mil euros de várias instituições financeiras e ter dado este dinheiro a movimentos sociais. Duran justificou o seu acto como forma de desobediência civil e fez uma ligação à tradição anarquista espanhola de assaltos politicos a bancos. A sua acção foi anunciada no jornal Crisi, cujas cópias (200 mil) foram distribuidas gratuitamente por toda a catalunha no dia em que ficou clandestino. O seu retorno à catalunha foi anunciado publicamente e, no dia em que foi preso, outro jornal foi distribuido em massa. Ambos os jornais se tornaram conhecidos pela análise e perspectiva anti-capitalistas.Enri, foi detido num debate no edificio ocupado da universidade de barcelona.Vai aguardar ficar julgamento em prisão preventiva sem fiança. a "prisão preventiva" pode durar até 2 anos.Ás seis da manhã de 18 de março, a policia de intervenção voltou à universidade para de forma brutal desalojar os estudantes que a ocupavam. 58 pessoas foram forçadamente desalojadas. Mais tarde a policia carregou sobre os estudantes que se manifestavam e ao fim do dia atacou a manifestação e perseguiu e espancou várias pessoas pela cidade. Cerca de 18 pessoas foram detidas.Os estudantes têm vindo a lutar contra o plano bolonha à mais de um ano através de vários protestos e ocupações de prédios em universidades.Vários estudantes da Universidade Autonoma de Barcelona foram ameaçados com prisão por danos provocados pela ocupação.Retirado de: Rede Libertária

sexta-feira, 20 de março de 2009

Agressões no Estabelecimento Prisional de Monsanto

Dia 12 de Março, mais uma vez, o Estabelecimento Prisional de Monsanto foi palco de uma flagrantíssima violação dos Direitos Humanos, consubs- tanciada no vil espancamento de dois presos, nomeada-mente, Jaime Arbe (também conhecido por “El Solitário”) e Marcus Fernandes.
Tudo começou de manhã cedo, por volta das 8.30 horas, quando os presos em questão iniciavam os procedimentos com vista a serem transpor-tados - para se apresentarem no Tribunal da Póvoa de Varzim - num espaço destinado à mudança de roupa e revista pessoal que, conveniente e estranhamente, não tem qualquer câmara de videovigilância.
Após a revista, depois de os dois já terem entrado na carrinha, um guarda do GISP (cujo nome não foi possível apurar por não se encontrar identificado com a placa respectiva) dirigiu-se ao Marcus com uns óculos na mão perguntando-lhe se estes lhe pertenciam, ao que este confirmou e dirigiu uma das mãos para lhe serem devolvidos. Acto contínuo o referido guarda agrediu-o nos olhos, tendo de imediato fechado intempestivamente a porta da carrinha.
Porém, já antes, na sala referida, já Marcus Fernandes havia sido provocado e ameaçado por quatro ou cinco guardas, que só não goraram o efeito pretendido por intervenção do “Chefe Mateus” que a isso se opôs, mandando os guardas embora.
Chegados ao Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, aguardava pelo Marcus um enfermeiro ou médico (não foi possível comprovar a qualidade do funcionário em questão). Daqui foram encaminhados para o Tribunal da Póvoa de Varzim, onde Jaime Arbe se apresentou na qualidade de testemunha de Marcus Fernandes, num processo movido por guardas prisionais.
Após o julgamento, foram, de novo, encaminhados para a cadeia de Paços de Ferreira, e desta para Monsanto, onde chegaram por volta da 00.00 horas.
Ao entrar na sala assinalada em cima, Jaime pediu aos guardas que lhe fosse permitido despir peça por peça, dado estar com frio, sugerindo que a revista fosse, de igual modo, efectuada peça a peça no decurso do desnudamento.
Proposta que os guardas não aceitaram, começando a provocá-lo e tendo, mesmo, o “Guarda Barão” partido para a agressão, desferindo a Jaime um soco no olho esquerdo, quando este se encontrava voltado para a parede com as pernas abertas. Ao fazer um movimento rotativo para o lado direito, tendo em vista proteger-se, o referido guarda desferiu-lhe outro soco no mesmo olho (onde ainda hoje, por altura da visita de sua advogada, era visível uma mancha negra).
Perante a cobarde agressão, Jaime sentou-se no chão e declarou expressamente que não se iria despir. Neste momento, o “Guarda Barão” e o “Guarda Luís Coelho” arrancaram-lhe as calças de ganga que trazia vestidas e, inclusive, rasgaram-lhe as cuecas. Ao mesmo tempo, o “Guarda Gonçalves” – testemunha da acusação num processo contra Jaime – começou infantilmente a atirar beijos, com a mão, para o preso – fazendo chacota da situação humilhante a que este era sujeito.
No dia seguinte, Jaime Arbe solicitou a um dos graduados da Guarda Prisional, de nome “Valente”, que fotografasse os danos causados pela agressão – o que este supostamente fez. Pelo que, a confirmar-se o registo fotográfico, bem como a sua não destruição, poderá este compaginar elemento de prova para sustentar, entre outros, a queixa que sua advogada irá apresentar às autoridades judiciais.
De referir, ainda, que, após a agressão, foi negada a Jaime qualquer assistência clínica, sob a alegação que não estaria nenhum profissional disponível.
Objectivamente – e com a cumplicidade inepta e criminosa das autoridades – o Estabelecimento Prisional de Monsanto se revela como uma espécie de Guantanamo nacional, onde a iniquidade e cobardia andam à solta, tendo como alvo pessoas já de si fragilizadas por condição e correlação de forças.
Poder-se-ia dizer: “a ACED espera a melhor atenção das autoridades…”. Não o dizemos, pela simples razão de que não esperamos nada de um Estado onde o conceito de “justiça” só funciona para alguns, sempre os mesmos, com o beneplácito dos “amigos dos amigos, dos amigos” que sempre estão presentes para acarinhar, branquear e safar os membros da casta maculados pela nódoa.
A ACED só pode dizer que sente nojo!
Retirado de http://passapalavra.info/

«Marrocos continua a desafiar a comunidade internacional»


«O povo sarauí continua a ser fiel aos seus compromissos, enquanto que Marrocos continua a desafiar a comunidade internacional, explora ilegalmente os recursos naturais do Sara Ocidental e viola os direitos humanos nos territórios ocupados», afirmou, na segunda-feira, o embaixador da República Árabe Sarauí Democrática (RASD) em Argel, Brahim Ghali.
Ghali, na sua intervenção numa cerimónia comemorativa do 33º aniversário da proclamação da RASD, disse que «se a Frente Polisário foi sempre fiel aos seus compromissos, para conseguir uma solução honrosa e pacífica para o conflito, o Reino de Marrocos, pelo contrário, desafia a comunidade internacional, explora ilegalmente os recursos naturais do Sara Ocidental e viola os direitos humanos nos territórios ocupados».
«Com esta atitude, Marrocos obstaculiza todos os esforços desempenhados para instaurar a paz e a estabilidade na região», sublinhou.
O diplomata sarauí reiterou a «boa vontade» da Frente Polisário para cooperar plenamente com as Nações Unidas para chegar a uma solução «pacífica, justa e duradoura» do conflito do Sara Ocidental, que garanta o respeito pelo direito inalienável à autodeterminação do povo sarauí, tal como afirmou o enviado pessoal do Secretário Geral da ONU, Christopher Ross.
Ao mesmo tempo, sublinhou que a Frente Polisário continua comprometida com o seu «legítimo direito a defender os interesses supremos do povo sarauí, com os meios legais disponíveis, incluindo o uso da luta armada».
Ghali recordou neste contexto que, desde a assinatura do Plano de Paz de 1991, entre a Frente Polisário e Marrocos, que previa a celebração de um referendo de autodeterminação no início de 1992, Marrocos «nunca respeitou» os compromissos contraídos em virtude desse plano.
Fonte: Sahara Press Service

A “tempestade perfeita” em 2030

O aumento da população mundial e das demandas por água, energia e alimentos poderão provocar uma "catástrofe" em 2030, segundo previsões do principal conselheiro científico do governo britânico.
John Beddington descreveu a situação como uma "tempestade perfeita", termo usado quando uma combinação de factores torna uma tempestade que, por si só, não teria tanto efeito, em algo muito mais poderoso. A analogia também é usada para descrever crises económicas.
Segundo o conselheiro, citado pela BBC, com a população mundial estimada em 8,3 mil milhões de pessoas em 2030, a demanda por alimentos e energia deve aumentar em 50%, e por água potável deve aumentar em 30%.
Há ainda a questão das alterações climáticas, que devem piorar ainda mais a situação, advertiu o cientista na conferência Desenvolvimento Sustentável RU 09, em Londres.
"Não vai haver um colapso total, mas as coisas vão começar a ficar realmente preocupantes se não combatermos estes problemas", afirma Beddington, acrescentando que esta crise por recursos vai ser equivalente à actual crise no sector bancário.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) prevê falta de água generalizada na África, Ásia e Europa até 2025.
A quantia de água potável disponível por habitante deve diminuir dramaticamente neste período.
A questão da segurança alimentar e energia chegou a entrar no topo da agenda política no ano passado, durante a subida do preço do petróleo e das commodities.
Porém, segundo Beddington, a preocupação agora que os preços voltaram a cair é de que estas questões saiam da agenda doméstica e internacional.
"Não podemos ser complacentes. Só porque os preços caíram, não significa que possamos relaxar", diz ele.
Melhorar globalmente a produtividade agrícola é uma forma de combater o problema, afirma Beddington.
Actualmente, se perdem entre 30% e 40% de toda a produção, antes da colheita, por causa de pragas e doenças. Daí que defenda que "temos de procurar uma solução. Precisamos de mais plantas resistentes a pragas e doenças, e de melhores práticas agrícolas e de colheita".
"Os alimentos transgênicos também podem ser parte da solução. Precisamos de plantas que sejam resistentes à seca e à salinidade - uma mistura de modificações genéticas e cruzamento convencional de plantas."
Estas são as desculpas para que os transgenicos possam ser mais comercializados e que o numero de apoiantes aumente.
E sempre com a constante mentira de que os transgenicos vão acabar com a fome no mundo.

O Peixe Morcego Vulcânico Cego