terça-feira, 7 de outubro de 2008

Bolívia: o dilema


O regime de Morales representa uma enorme ruptura porque surgiu não dos partidos políticos mas dos movimentos sociais, movimentos de massa organizados na base em torno de luta concretas. Foram eles que o levaram ao poder e o têm sustentado. Na Bolívia, a clivagem social corresponde a uma diferença étnica. Os pobres são índios ou mestiços, enquanto os ricos são descendentes dos colonizadores espanhóis. Isto faz com que os confrontos sociais sejam mais drásticos e visíveis, reforçados por uma diferença muito vincada nas tradições culturais, contribuindo para reforçar o racismo da direita.De um lado está o peso eleitoral, porque Morales teve 67% dos votos no referendo de Agosto. Mesmo nas 5 províncias controladas pela extrema-direita, que agora reclamam autonomia, teve cerca de 40% dos votos e obteve a maioria em muitas áreas rurais. Do outro está o peso da riqueza, porque as 5 províncias produzem 80% do rendimento nacional. Sabendo que não conseguirão dominar como antes a população pobre, a extrema-direita quer fraccionar o país, ficando com as regiões ricas e entregando à miséria a maioria dos trabalhadores, que despreza enquanto pobres e odeia enquanto índios.Parece que Morales preferiu procurar uma conciliação com a extrema-direita autonomista em vez de enveredar pela ampliação da luta social. Mas haveria condições para desenvolver o confronto de classes? Morales procura uma trégua para avançar mais tarde ou procura assegurar uma base estável pluriclassista? Para quem está longe é muito difícil responder a estas questões. No entanto, são as questões cruciais.

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