sexta-feira, 20 de março de 2009

Agressões no Estabelecimento Prisional de Monsanto

Dia 12 de Março, mais uma vez, o Estabelecimento Prisional de Monsanto foi palco de uma flagrantíssima violação dos Direitos Humanos, consubs- tanciada no vil espancamento de dois presos, nomeada-mente, Jaime Arbe (também conhecido por “El Solitário”) e Marcus Fernandes.
Tudo começou de manhã cedo, por volta das 8.30 horas, quando os presos em questão iniciavam os procedimentos com vista a serem transpor-tados - para se apresentarem no Tribunal da Póvoa de Varzim - num espaço destinado à mudança de roupa e revista pessoal que, conveniente e estranhamente, não tem qualquer câmara de videovigilância.
Após a revista, depois de os dois já terem entrado na carrinha, um guarda do GISP (cujo nome não foi possível apurar por não se encontrar identificado com a placa respectiva) dirigiu-se ao Marcus com uns óculos na mão perguntando-lhe se estes lhe pertenciam, ao que este confirmou e dirigiu uma das mãos para lhe serem devolvidos. Acto contínuo o referido guarda agrediu-o nos olhos, tendo de imediato fechado intempestivamente a porta da carrinha.
Porém, já antes, na sala referida, já Marcus Fernandes havia sido provocado e ameaçado por quatro ou cinco guardas, que só não goraram o efeito pretendido por intervenção do “Chefe Mateus” que a isso se opôs, mandando os guardas embora.
Chegados ao Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, aguardava pelo Marcus um enfermeiro ou médico (não foi possível comprovar a qualidade do funcionário em questão). Daqui foram encaminhados para o Tribunal da Póvoa de Varzim, onde Jaime Arbe se apresentou na qualidade de testemunha de Marcus Fernandes, num processo movido por guardas prisionais.
Após o julgamento, foram, de novo, encaminhados para a cadeia de Paços de Ferreira, e desta para Monsanto, onde chegaram por volta da 00.00 horas.
Ao entrar na sala assinalada em cima, Jaime pediu aos guardas que lhe fosse permitido despir peça por peça, dado estar com frio, sugerindo que a revista fosse, de igual modo, efectuada peça a peça no decurso do desnudamento.
Proposta que os guardas não aceitaram, começando a provocá-lo e tendo, mesmo, o “Guarda Barão” partido para a agressão, desferindo a Jaime um soco no olho esquerdo, quando este se encontrava voltado para a parede com as pernas abertas. Ao fazer um movimento rotativo para o lado direito, tendo em vista proteger-se, o referido guarda desferiu-lhe outro soco no mesmo olho (onde ainda hoje, por altura da visita de sua advogada, era visível uma mancha negra).
Perante a cobarde agressão, Jaime sentou-se no chão e declarou expressamente que não se iria despir. Neste momento, o “Guarda Barão” e o “Guarda Luís Coelho” arrancaram-lhe as calças de ganga que trazia vestidas e, inclusive, rasgaram-lhe as cuecas. Ao mesmo tempo, o “Guarda Gonçalves” – testemunha da acusação num processo contra Jaime – começou infantilmente a atirar beijos, com a mão, para o preso – fazendo chacota da situação humilhante a que este era sujeito.
No dia seguinte, Jaime Arbe solicitou a um dos graduados da Guarda Prisional, de nome “Valente”, que fotografasse os danos causados pela agressão – o que este supostamente fez. Pelo que, a confirmar-se o registo fotográfico, bem como a sua não destruição, poderá este compaginar elemento de prova para sustentar, entre outros, a queixa que sua advogada irá apresentar às autoridades judiciais.
De referir, ainda, que, após a agressão, foi negada a Jaime qualquer assistência clínica, sob a alegação que não estaria nenhum profissional disponível.
Objectivamente – e com a cumplicidade inepta e criminosa das autoridades – o Estabelecimento Prisional de Monsanto se revela como uma espécie de Guantanamo nacional, onde a iniquidade e cobardia andam à solta, tendo como alvo pessoas já de si fragilizadas por condição e correlação de forças.
Poder-se-ia dizer: “a ACED espera a melhor atenção das autoridades…”. Não o dizemos, pela simples razão de que não esperamos nada de um Estado onde o conceito de “justiça” só funciona para alguns, sempre os mesmos, com o beneplácito dos “amigos dos amigos, dos amigos” que sempre estão presentes para acarinhar, branquear e safar os membros da casta maculados pela nódoa.
A ACED só pode dizer que sente nojo!
Retirado de http://passapalavra.info/

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